Por Fernando Freitas - fernando@creativebizz.com
Diretor de Marketing e International Business
No ambiente corporativo, manter o colaborador motivado e bem informado acerca dos negócios é uma necessidade há muito já sabida. Afinal, é ele o responsável direto pela construção da imagem da empresa e precisa, portanto, estar preparado - e disposto - para representá-la da melhor forma.
Porém, o que se esquece é que esta informação, antes de chegar aos olhares rápidos do funcionário, precisa de estrutura e planejamento. Caso contrário, corre-se o risco de os esforços de comunicação caminharem na contra-mão dos objetivos desejados (e se transformaram em gasto, ao invés de investimento) e o mais grave: transmitirem uma mensagem passível de interpretações equivocadas. Duvida? Então, veja só!
A fim de organizar as atividades de sua empresa para o segundo semestre, um dos diretores da XYZ chamou um de seus gerentes e solicitou: "Pedro, por favor, diga a todos para estarem aqui às 10, sem falta, para que possamos tomar nota dos acontecimentos". Enquanto isso, um dos colaboradores passava pelo corredor e ouviu a conversa. Às pressas, retornou ao setor, para comunicar sua descoberta aos colegas. "Daê, pessoal! Alerta geral! Escutei agora o Henrique dizer que vai avaliar todo mundo, com notas de 0 a 10. Vai ter até lista de presença! Quem não aparecer leva falta".
Apesar de contar com um pezinho no exagero, esta situação é mais rotineira do que se imagina. Isto sem falar nos comunicados oficiais que dão verdadeiros nós na cabeça do funcionário (alguém questiona, por exemplo, a confusão causada quando a diretoria avisa que vai "ratificar" ou "retificar" alguma coisa?). É justamente por isso que a Assessoria de Imprensa vai muito além do conceito coletivo de jornalistas frenéticos, buscando espaços espontâneos na mídia para o cliente. Ela precisa, também, dar igual importância ao 'mercado interno' deste mesmo cliente, cuja relevância exige atenção à parte. É onde entra em ação a Comunicação Interna e suas ferramentas.
Mas e como comunicar internamente? Primeiro, tenha em mente que os colaboradores são um público altamente capaz (afinal de contas, você não os contrataria se fosse diferente). Portanto, evite mensagens que firam a inteligência deles. Troque o "tati-bi-tati" dos textos que mais parecem escritos para o público infantil por mensagens inteligentes e que realmente trabalhem o viés informativo - o que não deve ser traduzido como um convite ao rebuscamento, que nem de longe é sinônimo de linguagem elaborada e deve ser evitado em nome da simplicidade e da clareza. Também mande embora os termos demasiadamente técnicos, pois boa parte do seu público pode simplesmente não entendê-los e a sua mensagem acabar consumida pelos ruídos. Por outro lado, imagens e layouts interessantes são sempre bem-vindos, já que 'conquistam o leitor pelo olhar', com base numa maior atratividade visual.
Além disso, desfaça-se do mito de que os textos têm que ser obrigatoriamente curtos. Porém, verdade seja dita: caso você tenha algum pendor para redigir tratados bíblicos, é aconselhável que os guarde neste momento. De fato, quanto mais sucinto o texto, melhor. Porém, há casos em que a real necessidade de transmitir informações mais completas justifica um maior número de caracteres. O importante é ficar atento à proporção tamanho x necessidade. Aqui, ela é quem diz tudo!
Outra premissa que a equipe de Comunicação não deve perder de vista é a adequação do conteúdo aos diversos veículos. O jornal interno (também chamado de "house organ") deve ter cara de jornal interno, e não de comunicado de mural. Exige tratamento jornalístico, e não publicitário. Do mesmo modo, um banner tem natureza bem mais publicitária que jornalística, devendo ter sua linguagem respeitada.
Fuja também do famoso (e tentador) reaproveitamento dos textos. A matéria produzida para a newsletter dos revendedores, por exemplo, requer enfoque diferente da elaborada com foco no cliente final. Mesmo que o conteúdo seja o mesmo! Afinal, são públicos distintos e, por isso, demandam abordagens igualmente específicas.
Então, fique atento! A Comunicação Interna tem uma linguagem própria. A questão é: você sabe falar esta língua?